sábado, 17 de novembro de 2012


ILUSÃO?

Prólogo.

Tudo se encontrava diferente. Estava sentada abaixo de uma árvore, em um bairro diferente, e não havia pessoas na rua. Fui verificar a hora em meu celular, e fiquei surpresa, pois eu nunca acordava as 15:30 da tarde. E o que faria eu, sentada debaixo de uma arvore à essa hora?Não sabia. Fiquei pensando em como saber onde estava, mais não havia saída, teria de esperar alguém passar e me dar alguma informação. Quando o relógio marcou 18h, avistei alguém vir se aproximando, mais não era alguém com quem eu poderia pedir ajuda. O homem era sujo, de roupas rasgadas, e trançava as pernas devido ao alcoolismo. Fiquei com medo, e como por precaução, arrisquei-me, fazendo com que me levantasse e pulasse o muro onde estava perto. Depois disso, tudo ficara escuro.

Capítulo I 

Quando voltei ao normal, percebi que alguém me observava. Rapidamente, sentei-me e percebi que quem me encarava era uma linda criançinha, de aproximadamente seis anos.
- Oi. 
-Olá. - disse, e abri um sorriso a ela, ao que em seguida ela retribuiu.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntou ela com certa curiosidade.
- Bem, é que, estava sentada na calçada, sem saber onde estava, e logo após avistei um homem que me deu medo, e sem pensar, pulei o muro e vim parar aqui no seu jardim. – eu olhei ao redor, e acrescentei – na verdade, um belo jardim.
- Bom, meu nome é Victória. Mas pode me chamar de Vick se quiser. Aliás, qual seu nome?
- Kate. Você tem 6 anos? – Victória assentiu. - Hm. Bom, por sua sorte, eu não sou uma pessoa que faria seu mau, mais mesmo assim, você não pode confiar tanto em um estranho como eu. Por que confiou em mim?
- Você é uma pessoa boa. Gostei de você. Você poderia ser a minha irmã mais velha sabia? A gente ia brincar bastante, e... – a menina não parava de falar, e achei melhor intervir.
- Eu não posso ser sua irmã. Tenho uma família também. Não posso ficar aqui. Aliás, em que cidade estou?
- Você está em Santa Catarina.
- Florianópolis
? Mais não é possível, eu moro em São Paulo.
- Tenho certeza absoluta que você está em Santa Catarina. – escutei o barulho do portão, e em seguida, Victória falou:
- Papai chegou! 
- Espera, Você tem que me tirar daqui! Não posso ficar, me esconda!
- Vem Kate, você vai conhecer meu pai. - E lá fui eu sendo puxada pela garotinha e entrando na casa, percebi que parecia coisa de outro mundo: eu não estava em uma casa, estava em um palácio.


Capítulo II
Victória sentou no sofá, me puxando junto. O pai dela entrou na sala, parando na porta ao me ver sentada ao lado de sua filha. Para não desconfiar Victória, ele continuou andando em direção ao sofá onde estávamos, e deu um beijo na testa de Victória.
- Ora minha filha, quem é esta moça com quem você está?
- Ela caiu no nosso jardim, e agora ela virou minha amiga.
- Por favor, quero conversar com sua amiga, vá para seu quarto minha princesinha.
-Tudo bem. Te espero lá ta bom?- ela olhou diretamente para mim, e soprou beijos antes de subir as enormes escadas.
- Perdão, mal me apresentei. Sou Kate, e acho que lhe devo uma explicação. 
- Sim. Por favor, prossiga. – expliquei ao homem que estava sentado a minha frente toda a minha história, e ele me ouviu atentamente, sem interromper. Quando enfim terminei de explicar, ele disse – Sua história é interessante, mas gostaria de saber porque Victória ficou apegada a você facilmente. Ela nunca age assim com alguém. 
- Infelizmente senhor, eu não tenho nenhuma resposta para isso.
- Não me chame de senhor. Meu nome é Anderson.
- Tudo bem, Anderson. Se não for pedir demais, gostaria que me informasse algum hotel de hospedaria para que eu fique até conseguir dinheiro para voltar pra São Paulo e... 
- Não se incomode com isso. Você pode muito bem ficar aqui. - ele me interferiu e ainda complementou: - Aliás, acredito que se fosse outra pessoa a fazer isso, teria feito mal a minha filha, e você não o fez. Pelo ao contrário, minha filha se aproximou cada vez mais de você. Obrigado por isso.
- Não tem de me agradecer. Eu é que lhe agradeço por me deixar ficar.
- Você disse que precisa de dinheiro para voltar a sua cidade. Lhe ofereço o serviço de ficar aqui e olhar a minha filha em troca de moradia, alimentação, higiene e um bom salário.
- O senhor está sendo muito bom para mim. Agradeço-lhe muito.
- Eu é que agradeço. Há muito tempo não via minha filhinha sorrir e demonstrar tanta felicidade desde que sua mãe foi morar em Paris. Agora, acho melhor você ir lá ficar com a Vickie, antes que ela desça pedindo a amiga de volta.
- Mais uma vez, obrigada.
- Não há de quê.


Capítulo III

A casa era imensa. Havia nos dois lados da casa, uma escadaria que dava para os quartos e os dois banheiros. Ao lado direito da casa, havia uma sala de estar, e do esquerdo, a cozinha, que era imensa também. Meu primeiro dia como babá foi ótimo, pois Victória não dava trabalho algum. 
Antes de me levantar, senti que havia algo de estranho no quarto de Victória. Quando me sentei na cama, olhei para o lado e percebi que não havia ninguém deitada ali. Mesmo sem me trocar, saí correndo em direção ao corredor, procurando pela menina desaparecida. Apenas uma coisa me atrapalhou na busca: quando saí do quarto correndo, havia me chocado em alguém, e devido à velocidade em que andava, isso me fez cair no chão imobilizando a pessoa em que havia esbarrado.
-Perdão! – eu disse totalmente sem graça, pensando que havia trombado com o senhor Anderson, mas logo após que me levantei, percebi que não era ele, e sim, um garoto de uns 18 anos, com cabelos curtos e morenos, de olhos verdes e um sorriso maravilhoso.
- Eu é que peço. – ele levantou e me puxou, e depois acrescentando – Você deve ser a nova amiga da Victória não é? – eu assenti – Ela não parava de falar de você pra mim. Aliás, você deve estar procurando a Vickie. Ela foi para a cozinha.
- Obrigada. Vou me trocar e já desço para o café da menina. Ah, eu sou Kate.
- Sou Leandro. Até daqui a pouco.
       Depois que me troquei, desci as escadas e fui em direção a cozinha. Leandro, Victória, e Anderson já estavam na mesa.
- Bom dia senhorita. Como foi a noite?- Leandro perguntou educadamente.
- Ótima, obrigada. – me virei para Vickie – E você, o que quer comer?
- Eu to faminta. Você faz um achocolatado bem gostoso pra mim?
- Claro que sim. Mais alguma coisa?
-Não. E obrigada.
- De nada meu anjinho. – enquanto fazia o café da manhã de Vickie, seu pai se levantava, dizendo que estava na hora de seu serviço.
- Bom, crianças, se comportem. Leandro, você a tarde tem algum compromisso?
- Não papai. Por quê?
- Você vai levar Kate ao shopping e vai lhe acompanhar em algumas compras.
- Compras? Compras de quê? 
- Ela irá comprar novas roupas, pois aliás, ela não tem nenhuma, e as de sua mãe são grandes de mais para ela vestir.
- Tudo bem. E Victória?
- Ela vai com vocês. Tome – ele pegou um envelope branco e pequeno, e senti que aquilo deveria ter muito dinheiro. – Agora eu vou trabalhar. Até logo.
- Kate, você já fez meu achocolatado?
-Claro. Aqui está.

Capítulo IV

- Kate! Olha esse vestido! Entra nessa loja, ele vai ficar lindo em você! – Victória estava muito animada. Eu apenas disse ao Leandro:
- Você está querendo mais do que tudo acabar logo com isso não é? 
- Na verdade, não. Está bom aqui com você e com a Vickie. 

Passamos a tarde toda no shopping, compramos muitas roupas e acessórios, e mais à tarde, Vickie exigiu que o irmão comprasse um sorvete.
- Leandro, por favor, compra pra mim! Eu quero muito. Ah, e se for comprar pra mim, compra pra Kate também!
- Ora Vickie, eu não quero sorvete, e aliás, se seu irmão não comprar pra você, eu compro. Venha.
- Eba! Viu Leandro, você tem que ser bonzinho comigo igual a Kate é.
-Tudo bem moçinha, não brigue com seu irmão, mais também não reclame depois se você pegar alguma doença. 
-Eu não vou ficar doente. Apenas quero o sorvete.
-Tudo bem, mais depois que o tomarmos, vamos embora está bem?
-Ta bom.
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Quando chegamos em casa havia um bilhete destinado a mim. Nele, o Sr. Anderson havia escrito:

Senhorita Kate. Me perdoe por sair com pressa de casa, mas tive um emprevisto no trabalho. Envio por meio desta carta um aviso de que meus funcionários da casa organizaram o quarto que estava vago para sua hospedagem. Espero que goste.
                                     Atenciosamente, Sr. Anderson.

Não consegui acreditar. Ele arrumou um quarto para mim! O que eu devo fazer agora? Melhor ir tirar satisfações com Leandro, ele que deve ter organizado tudo isso.  Desci as escadas correndo, e encontrei com Leandro no pé da escada.
-Ei, você me deve uma explicação, não acha?
-O que houve Kate? Venha, vamos ao meu quarto. Lá você me explica direitinho. – e lá fomos nós.
-Pronto. Diga-me o que está havendo.  – disse ele.
- Vou lhe explicar. Quando cheguei ao quarto de Victória, havia um bilhete de seu pai, dizendo que o quarto de hóspedes seria a partir de hoje o meu quarto. Achei que você tivesse alguma coisa a ver com isso.
- É claro que não! Eu não estava sabendo de nada até agora. Simplesmente acho que essa foi uma idéia de Vick. Ela ama tanto você, que acho que ela seria capaz disso.
- É verdade! Não havia pensado nisso! Isso tudo foi Victória que devia ter planejado. Me desculpe por pensar que foi você.
- Eu não me importo. Mais, agora quer dizer que você vai morar aqui, com todos nós? 
- Isso lhe incomoda? Se eu estiver, posso sair dessa casa imediatamente.
- Não! Eu não quero isso nunca. Na verdade, eu fico feliz em que fique. Gosto muito de você. Seria doloroso de mais te ver partir. – senti que estava corando, e nesse mesmo instante senti a mão de Leandro pousar sobre a minha.
- Obrigada por ser tão bom comigo. Eu nunca vou me esquecer do que vocês estão fazendo por mim.
- É claro que não vai. Você sempre estará aqui conosco, não há o que temer. 
- Ah. Leandro, na verdade, eu tenho de voltar a minha cidade. Tenho uma família também.
- Mas isso não irá ser nessas semanas não é? Você vai ficar aqui conosco mais um tempo?
- Sim. Ficarei aqui durante dois meses mais ou menos. Eu não sei. O destino é imprevisível.
- Bom, eu não quero que você vá. Hoje eu vi que você não iria ser só apenas a babá da minha irmã e a conselheira de meu pai, e sim, uma garota que eu iria me aproximar cada vez mais e me apaixonar. Acho que isso está acontecendo.
- Espera. Está dizendo que está apaixonado por mim?
- Sim. Por favor, entenda. Eu te acho tão linda, inteligente, meiga, e ama todos que estão a sua volta. Quero que você me ame também. Mais da mesma maneira que eu estou te amando.
- Ora, Leandro, você não pode pensar assim. Há apenas um dia que você me conhece.
- Em um dia eu aprendi a amar uma garota. Isso já não basta pra você?
CAPÍTULO V
No dia seguinte, acordei Vick às 6 da manhã. Havia aula às 7. O Sr. Anderson me explicara onde era o colégio, e eu fui levá-la, e o seu irmão foi junto. Na esquina próxima ao colégio, Leandro pegou minha mão.Mesmo eu não querendo, a sensação foi boa, e não fiquei alegre quando ele a soltou.
- Tchau, Kate! – e entrou correndo.
-Bom, esperamos você aqui mais tarde.- Leandro disse.
- Claro. Boa aula e até em breve.
-Espera
! Você se esqueceu....- me virei. -Ele estava proximo de mim.
-Esquecer do que?
-Isso. - ele m puxou para si e me beijou. Todos que estavam por perto, mexeram conosco.
-Desculpa.Não consegui resistir.Te vejo mais tarde. - e ele entrou como Vickie havia feito. Correndo.
Fui para a casa do Sr. Anderson- agora minha casa também- pensando no que havia acontecido. Estou confusa, acho que estou começando a gostar dele. Não sei ao certo.Fui andando lentamente, para colocar os pensamentos em ordem, e quando cheguei, perebi que precisaria fazer algo para passar o meu tempo. Um trabalho? Não, mal havia terminado o ensino médio. Falando em ensino médio...acho que vou estudar...posso pagar umas aulas com o salário que ganho, pouco a pouco, com o que sobrar , junto para ir pra casaChegando na casa, fui em uma estante e peguei um livro qualquer. A história me parecia conhecida: um menino que se apaixona por uma garota em que não podem ficar juntos.Estava quase terminando o livro, quando fui reparar a hora. Ja devia ter ido buscar Vick e seu irmão.Saí correndo, tentando chegar o mais rapido o possível.Chegando lá, Leandro ja esperava na praça em frente ao colégio.Fui em sua direção, e chegando perto dele ele beijou meus labios,e a turma que se encontrava lá gritou , novamente.
- Não faça isso! - disse em seu ouvido.
-Desculpa. Foi impulso.
-Vem, Vamos pegar sua irmã. - Atravessamos a rua, pegamos Vick e voltamos tranquilamente para casa.Quer dizer, tirando a parte em que Victória não parava de falar sobre o que havia feito na aula.
- Kate,foi tão engraçado! O Vinicius jogou uma bolinha de papel em um menino , mais aí ele abaixou , aí acertou a cabeça do Artur, sabe, aquele magricela? A gente riu tanto! E a Isadora,... - tentei interrompe-la.
- Acho melhor andarmos mais rapido, vai chover.
-Ta, mais deixa eu te contar... - começou a chover.Salvos pela chuva, pensei.
-Vem, corre!- Leandro disse.Segurou a mão da Vick e a minha, e saímos correndo em direção a casa.
Quando chegamos, pedi a Vick que entrasse no banho, e ela saiu em disparada para o chuveiro. Leandro, estava ainda lá fora, e resolvi ver o que se passava.
- O que ainda está fazendo aqui? Vai tomar um banho, no quarto de seu pai.
-Ah..Não é nada.Tudo bem, vou esperar Vick tomar.Aliás, se tomar banho e molhar o quarto dele, acho que me mata.
-Ok então.Bom, acho que ela já saiu.
-Não.Quero fazer uma coisinha antes. Hã, ainda está molhada?
-Sim.Mais , se me permite perguntar, o que quer fazer antes de tirar a friagem do corpo?
-Vem cá , eu quero te mostrar uma coisa.
-O que é?- pegou minha mao e me fez dar a volta na casa, em volta da piscina.
-Qualquer coisa, eu estarei por perto ok?-Disse-me ele.
-Mais o que quer mostrar? Para, estou com medo.
-Nao é nada de mais. É só uma coisinha que quero fazer... 
-Bom,pelo menos me responde uma coisa...O que vamos fazer e o que vai me mostrar?
-Confia em mim. - ele soltou minha mão.
-Tudo bem.- No mesmo momento, ele me pegou no colo, e logo após estavamos na piscina.Quando voltei a superficie, ele me disse.
-Bom, era isso.Você mesma disse que ja estava molhada não é? Bom, molhar mais um pouquinho não ia fazer diferença.
-Sim, mais precisamos sair!Seu pai vai chegar daqui a pouco.
-Ele não vai ligar.
-Ora, claro que vai.E além disso , preciso cuidar da sua irmã.
-Tudo bem. Tome seu banho primeiro.Mais nunca se esqueça que te amo.
-Ok.Até mais.
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Depois de alguns meses, consegui juntar a quantia para voltar à São Paulo.O Sr. Anderson e seus filhos me levaram até ao aeroporto. Eu havia resolvido dar uma chance a Leandro, e Vickie nao parava de chorar por causa da minha ida.
- Tome senhorita. Aceite como meu ultimo presente - disse o Sr. Anderson.
-Não será o ultimo.Voltarei para ver Vickie.
-Hey!- disse Leandro.
- E Leandro também.
-Faça uma boa viagem.E lembre-se: o destino é imprevisivel.Obrigada por entrar em nossas vidas.
-Eu que tenho de lhe agradecer.Obrigada. Bom, vou pegar o voo, antes que ele saia sem mim. Vickie:voltarei assim que puder. Me visite e me ligue. Amo vocês.- olhei Leandro , que tinha um olhar triste.
- Vê se volta logo- disse ele.
-Ok. Pode deixar. Beijos! Amo vocês!
Acordei. Olhei o relógio. Era dia 4 de setembro. Senti algo duro em baixo do travesseiro.Peguei.Era um celular , nada parecido com o meu .Além do aparelho, havia um bilhete, com poucas palavras:

Nada acontece por acaso. Ass: Sr. Anderson e família.

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